Por Antônio Carlos Santini
2/02/2025 - Ele recebeu-o nos braços... (Lc 2,22-40)
Na festa litúrgica da Apresentação do Senhor, o Velho Simeão representa com fidelidade aquela fatia do povo da Primeira Aliança que, como sentinela sobre a muralha, na profunda escuridão da noite humana, atravessara os séculos em atenta vigília, à espera do Messias prometido. Os ícones da Igreja do Oriente mostram o Menino todo luminoso nas mãos de Simeão, que tem os olhos fitos nos olhos Menino, a ponto de se poder traçar entre eles uma linha reta.
Como pano de fundo, a frase de seu Cântico, o “Nunc Dimittis”: “Meus olhos viram a tua salvação”. Cumprida a promessa de Deus, tendo já testemunhado a fidelidade de Deus, Simeão canta: “Agora, Senhor, podes desatar em paz o teu servo!” Isto é, já posso morrer, pois vivi o momento-chave de minha vida.
Por isso mesmo, ao presenciar a chegada de José e de Maria, que traziam o Menino para sua apresentação no Templo do Senhor, Simeão estende prontamente os braços no gesto de acolhida. Este ancião é a imagem daqueles que, movidos pela Graça de Deus, abrem a Jesus a alma e o coração, tomando-o como centro e motivo de sua existência.
Mas permanece atual o grande mistério da recusa do Cristo. São ainda numerosos aqueles que não se abrem ao oferecimento gratuito de salvação, na pessoa de Jesus. Tal como no tempo de Cristo, quando muitos de seus contemporâneos o recusaram, em especial aqueles que teriam algo a perder – política ou financeiramente –com a adesão ao Mestre de Nazaré, também hoje há pessoas e grupos de coração empedernido, que movem contra Cristo e sua Igreja a mais feroz oposição.
Deixando de lado a hipótese de uma opção consciente pelo Anticristo, a atitude desse exército inimigo pode ser entendida como uma espécie de reação de defesa, apegados que estão a projetos e ideais que nascem da ambição e do ódio, da concupiscência e da luxúria, da ganância e do hedonismo pagão. Para eles, o Mártir do Calvário será sempre uma permanente ameaça. Por isso guerreiam contra Ele, pensando com isso preservar sua liberdade e sua autonomia.
Nada diferente do pecado das origens, quando o primeiro casal acatou a sugestão monstruosa de decidir, por conta própria, o que era o bem e o que era o mal... A mesma soberba, a mesma rebeldia.
Enquanto isso, o Velho Simeão abraça o Menino, sabendo que nele está a sua razão de viver...
E nós? Pressionados pelo cerco de um mundo neopagão, também temos em Jesus nossa razão de viver?
Orai sem cessar: “Para teu servo, realiza tuas ordens!” (Sl 119,38)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
Que será que Deus espera de sua Igreja? Uma religião que anestesia? Um culto que não se reflete na vida prática. A fé e a confiança em Deus trocadas pelo recurso ao dinheiro e ao apoio político? Os Dez Mandamentos questionados como antiquados e fora da realidade do mundo que nos cerca?
01 junho 2026
A “entrega” que o Pai nos faz de seu Filho é um gesto de confiança. O Pai “confiava” [pode-se traduzir tradere por confiar!] que seu Filho seria bem acolhido, como na parábola dos vinhateiros maus. E ao nos confiar seu maior tesouro, o Pai demonstrava seu infinito amor por nós.
31 maio 2026
O lançamento da Encíclica Magnifica Humanitas surge, nesse contexto, como um chamado necessário à resistência antropológica. Não contra a técnica, mas contra sua absolutização. Não contra a inovação, mas contra a submissão acrítica ao paradigma da eficiência
31 maio 2026
No 135º aniversário da “Rerum novarum”, o Pontífice reflete, em sua primeira encíclica, “Magnifica humanitas”, sobre a Doutrina Social da Igreja na era da inteligência artificial. O apelo para preservar “uma magnífica humanidade habitada por Deus”, promovendo a verdade, a dignidade do trabalho, a justiça social e a paz. Na era digital, é preciso desarmar a IA e superar a teoria da “guerra justa”, relançando o diálogo e o multilateralismo
25 maio 2026