Por Antônio Carlos Santini
Entre vós não deve ser assim... (Mc 10,35-45) 20/10/2024
Disputa pelos primeiros lugares. Ânsia de glória e sucesso. Busca da primazia entre os irmãos... Que bela “troupe” o Rabi da Galileia foi reunir! Os “santos Apóstolos” eram tão humanos como nós.
É óbvio que os discípulos já tinham percebido que Jesus não era um “homem comum”. Anteviam no humilde carpinteiro o esperado Messias, o Rei de Israel. E se Jesus anunciava um “Reino”, por que não ocupar nesse império um lugar de destaque?
Jesus corta bem rente esses sonhos de grandeza: “Entre vós não deve ser assim. Quem quiser ser o maior, seja como aquele que serve”. Não há espaço para destaques ou vantagens individuais no Reino anunciado.
Mais tarde - após a “derrota” do Calvário, após as luzes da Páscoa, após o fogo de Pentecostes - a fé renovada dos discípulos iria manifestar um conjunto de atitudes completamente diferente. É o que registrava o Papa Bento XVI, na Carta “Porta Fidei”: “Pela fé, [os Apóstolos] foram pelo mundo inteiro, obedecendo ao mandato de levar o Evangelho a toda criatura e, sem temor algum, anunciaram a todos a alegria da ressurreição, de que foram fiéis testemunhas”. (PF, 13.)
E esta mesma fé - que sustenta o testemunho, a ponto de arriscar a própria vida - é também a fé que reformula e reconstrói toda a personalidade do homem: “Em virtude da fé, esta vida nova plasma toda a existência humana segundo a novidade radical da ressurreição. Na medida da sua livre disponibilidade, os pensamentos e os afetos, a mentalidade e o comportamento do homem vão sendo pouco a pouco purificados e transformados, ao longo de um itinerário jamais completamente terminado nesta vida”. (PF, 6.)
Meditando estas palavras, algo me diz que temos transferido para o âmbito da psicologia e da autoajuda, do poder da mente e das dinâmicas de grupo, aqueles problemas e aquelas crises que encontrariam solução e resposta num simples ato de fé...
Uma rápida avaliação na vida dos apóstolos e dos santos de todas as épocas revela outra realidade: homens e mulheres frágeis como nós, feridos como todos nós, mas capazes de apostar na Palavra que ouviram do Senhor. E fundamentados nesta aposta, superaram todos os limites humanos, aí incluídos os milagres e o martírio.
Orai sem cessar: “A tua promessa me faz viver!” (Salmo 119,50)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança
Foto: Fano (reprodução)
No episódio desta semana do IHUCast, especialistas refletem sobre a crescente desordem global em 2026, marcada pelo expansionismo dos Estados Unidos, fragmentação da OTAN e uma “lógica gângster” que substitui a diplomacia pela força. O debate também destaca o papel ético do Papa Leão XIV e a urgência de resgatar o pensamento utópico para enfrentar a barbárie e reconstruir a dignidade humana.
19 janeiro 2026
Em entrevista à El Mundo traduzida para o português, o economista britânico Guy Standing afirma que a ascensão da extrema-direita não responde aos anseios da maioria da população e serve para desviar a atenção dos problemas estruturais do capitalismo rentista, enquanto a classe média desaparece e o precariado cresce globalmente.
19 janeiro 2026
[Pe. Jocélio] A Igreja precisa mudar. Não por moda, não para atrair mais gente, mas para ser mais fiel ao Evangelho respondendo adequadamente aos desafios atuais da missão. O Documento Final do Sínodo afirma justamente que, no coração do caminho sinodal, “há um apelo à alegria e à renovação da Igreja no seguimento do Senhor, no empenho ao serviço da sua missão, na procura dos modos para lhe ser fiéis” (DF 3).
19 janeiro 2026
[Dom Edson Oriolo] O risco ético surge exatamente porque o processo de raciocínio algorítmico, ao priorizar a melhora de resultados, obscurece a capacidade humana de rastrear e examinar criticamente as decisões. Isso cria a inteligência autônoma cujas soluções podem ser difíceis de entender, controlar e responsabilizar.
19 janeiro 2026