1º/06/2026 – Hão de respeitar meu Filho... (Mc 12,1-12)

Por Antônio Carlos Santini

PALAVRA DE VIDA

1º/06/2026 – Hão de respeitar meu Filho... (Mc 12,1-12)

            Em primeiro plano, temos a RECUSA DO MESSIAS, a rejeição do Salvador enviado pelo Pai à humanidade. Ainda que, de imediato, fosse a rejeição por parte de Israel, o povo escolhido, toda a humanidade se incluía nesta odiosa rejeição do grande dom do Pai.

Comentando esta parábola, o teólogo Urs von Balthasar entende que nem mesmo o “pessoal” da Igreja está a salvo da mesma rejeição por Jesus Cristo, pois também ele fica a dever quanto à quantidade e à qualidade da colheita. E dá como prova disso todo o sofrimento experimentado pelos servidores mais fiéis, os santos, canonizados ou não. Enviados pelo dono da vinha, tantas vezes foram alvo de rejeição, suspeita, zombaria e desprezo... Sua vida e sua atuação incomodavam lideranças acomodadas e satisfeitas com uma religião morna. Seu radicalismo evangélico os tornava objeto do mesmo ódio que matou os servidores da parábola.

Em segundo lugar, a parábola fala da grande DECEPÇÃO DE DEUS. O próprio apóstolo Paulo, já temia por isto. Na 2ª. Carta aos Coríntios, ele escreve:

“Mas temo que, como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim se corrompam os vossos pensamentos e se apartem da sinceridade para com Cristo. Porque quando aparece alguém pregando para vós outro Jesus, diferente daquele que vos temos pregado, ou se trata de receber outro espírito, diferente do que haveis recebido, ou de outro evangelho, diverso do que haveis abraçado, de boa mente o aceitais” (2Cor 11,3-4.)

Que será que Deus espera de sua Igreja? Uma religião que anestesia? Um culto que não se reflete na vida prática. A fé e a confiança em Deus trocadas pelo recurso ao dinheiro e ao apoio político? Os Dez Mandamentos questionados como antiquados e fora da realidade do mundo que nos cerca?

O fato é que mataram o Filho. É o drama do Calvário! E sempre haverá alguém disposto a se apossar da Vinha do Senhor. A mais descarada tentativa de usurpação: usar a Igreja e o Evangelho para juntar dinheiro, poder e dominar as pessoas, transformando-as em escravos.

Por isso mesmo, é imperioso voltar à pergunta de Jesus: “Que fará o dono da vinha?” E, claro, levar a sério a resposta... uma resposta que foi dada exatamente por aqueles que espoliavam a vinha de Deus... Esta resposta inclui um julgamento e uma pena. Assim como foi arrasada a Jerusalém dos tempos de Jesus, qualquer outra estrutura eclesial corre o mesmo risco ao recusar o Filho enviado pelo Pai.

Afinal, o Filho foi morto por aqueles que tinham sido alvo de grandes benefícios e se recusavam em definitivo a devolver ao Senhor os seus legítimos direitos. E ninguém se admire se a Igreja se tornar apenas um resto... um resto de Israel... um pequeno rebanho fiel, disposto a morrer por Cristo como os primeiros mártires da Igreja fiel...

Orai sem cessar:A vinha dará a sua uva e a terra os seus frutos.” (Zc 8,12)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

 

 

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