Por Antônio Carlos Santini
3/06/2026 – Ele não é Deus dos mortos! (Mc 12,18-27)
Hoje, vamos ouvir São Cirilo de Jerusalém [+387], em uma de suas “Catequeses Batismais”:
“Toda alma que crê na ressurreição trata a si mesma com respeito. Quem não crê na ressurreição abusa de seu próprio corpo como o faria de um corpo estranho. A Santa Igreja nos ensina a fé na ressurreição dos mortos: artigo importante e muito necessário, combatido por muitos, mas estabelecido pela verdade. Os gregos o combatem, os samaritanos o negam, os heréticos o rasgam. A contradição tem muitos rostos, mas a verdade só tem um.
Há cem ou duzentos anos, onde estávamos todos nós? Ignoras que foi a partir de coisas sem força, nem forma, nem diversidade que nós fomos gerados? Aquele que criou o que não existia, não ressuscitará o que morreu após ter existido?
Dirijamo-nos, agora, aos escritos da Lei mosaica. Deus diz a Moisés: ‘Eu sou o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó’. (Ex 3,6.) Se Abraão estava morto, bem como Isaac e Jacó, então Deus é o Deus daqueles que não existem! Então, é preciso que Abraão, Isaac e Jacó ainda existam para que, nesta passagem, Deus seja o Deus de personagens existentes. É que ele não disse ‘eu era Deus deles’, mas ‘eu sou’.
A vara de Aarão, quebrada, morta, pôs-se a florir sem mesmo experimentar a água (cf. Nm 17). Esse bastão, por assim dizer, ressuscitou dos mortos e o próprio Aarão não ressuscitaria? Deus opera um milagre em um pedaço de pau, e não daria a ressurreição ao próprio Aarão?
Para criar o homem, Deus mudou a poeira em carne; a carne não seria de novo restaurada em carne? De onde tiraram sua existência os céus, a terra e o mar? E o sol, a lua, as estrelas? Como os pássaros e os peixes foram extraídos das águas? Tantas miríades de criaturas foram transportadas do nada ao ser, e nós, os homens, criados à imagem de Deus, será que não ressuscitaremos?
Muitos outros textos da Escritura apontam para a ressurreição dos mortos. Para lembrar, limitemo-nos a citar aqui a ressurreição de Lázaro, quatro dias após sua morte (Jo 11), ou ainda a ressurreição do filho da viúva de Naim (Lc 7,11ss), ou da filha do chefe da sinagoga (Lc 8,49ss). Acima de tudo mais, seja lembrado que Jesus Cristo ressuscitou dos mortos.”
Nestes exemplos, o autor chama de “ressurreição” os casos de “reanimação” realizados por Jesus. Mas aquelas pessoas voltaram a morrer depois de algum tempo. Jesus, ao contrário, ressuscita para nunca mais passar pela morte. É nesta realidade que a fé cristã faz sua aposta: ressuscitar com Cristo e com ele viver pela eternidade, livres definitivamente das amarras da morte.
Orai sem cessar: “Em minha própria carne, verei a Deus!” (Jó 19,26)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
Muitos outros textos da Escritura apontam para a ressurreição dos mortos. Para lembrar, limitemo-nos a citar aqui a ressurreição de Lázaro, quatro dias após sua morte (Jo 11), ou ainda a ressurreição do filho da viúva de Naim (Lc 7,11ss)
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