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4/06/2026 – Viverá eternamente... (Jo 6,51-58)

Por Antônio Carlos Santini

4/06/2026 – Viverá eternamente... (Jo 6,51-58)

            O narrador é Dom Claude Rault, que foi Bispo do Saara argelino:

“Há muitos anos, um religioso que convivia com os moradores de um bairro muçulmano, em uma cidade do Paquistão, tinha sido detido e encarcerado devido a uma denúncia falsa.

Sua prisão iria durar muitos meses. Sendo o preso um leigo consagrado, não podia ali celebrar nem receber a Eucaristia. Era seu vizinho, um muçulmano de condição humilde, que regularmente levava-lhe a Comunhão em um envelope:

- Toma! – disse-lhe o amigo muçulmano na primeira vez. Trago para ti o pão que te faz viver!

E o homem comprometeu-se a fazer regularmente esse vai e vem da paróquia cristã até a prisão. Ele sabia que aquele alimento era vital para seu amigo. E isto é tudo!”

“Alimento vital!” Certamente, assim fica mais fácil entender o conteúdo do “discurso eucarístico” de Jesus, com as palavras que tantas vezes soam aos nossos ouvidos dispersos como uma lenda piedosa: “Eu sou o pão vivo que desci do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente”. (Jo 6,51) Estamos falando de uma vida “eterna” que já começa aqui no tempo, na história, alimentados com o sacramento que nos torna concorpóreos e consanguíneos de Jesus Cristo.

            A oferta gratuita de Jesus, que tanto escandalizou seus ouvintes (cf. Jo 6,60.66), é dar sua carne em alimento. Fazer-se alimento para ser assimilado e penetrar no metabolismo místico de sua Igreja. Depois de receber como dom amoroso o sangue humano de sua Mãe, Jesus deseja agora que participemos de uma transfusão vital, sem a qual a Igreja não passaria de um corpo inerte, sem vida, sem dinamismo para a missão.

            O Filho de Deus se fez carne para que nossa humanidade adâmica seja transfigurada em idêntica encarnação. E aqui percebo o salto de qualidade entre um primata qualquer e os filhos de Deus que o Filho alimenta com seu Corpo e Sangue. Como anotou o apóstolo, Deus “nos predestinou à adoção como filhos, por obra de Jesus Cristo” (Ef 1,5).

            Na solenidade de Corpus Christi, a Igreja é intimamente desafiada não só a crer na “presença real” de Cristo nas espécies consagradas, mas também a deixar-se consagrar e transfigurar através da participação existencial no banquete eucarístico. Graças à Comunhão, saltando da Liturgia para a vida, Cristo pode contemplar a Igreja e repetir as palavras de Adão (Gn 2,23): “Carne de minha carne... ossos de meus ossos...” E acrescentar: “Sangue de meu sangue...”

 

Orai sem cessar: “O Senhor lhes enviou pão com fartura.” (Sl 78,25)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

 

 

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