Por A redação
Ao reconhecer as virtudes heroicas do Pe. Júlio Maria de Lombaerde, a Igreja confirma aquilo que o povo de Deus já percebia há décadas: estamos diante de um homem que viveu o Evangelho de forma extraordinária. Missionário belga que se tornou brasileiro de coração, fundador de três congregações religiosas, escritor, educador e evangelizador incansável, ele deixa um legado que continua fecundando a Igreja do Brasil.
No dia 18 de junho de 2026, o Papa Leão XIV autorizou a promulgação do decreto que reconhece as virtudes heroicas do Servo de Deus Pe. Júlio Maria de Lombaerde. Com este ato, a Igreja passa a chamá-lo oficialmente de Venerável, um passo importante no caminho que poderá conduzi-lo à beatificação e, posteriormente, à canonização.
Para milhares de pessoas que conhecem sua história, a notícia foi recebida com profunda alegria. Afinal, a vida de Pe. Júlio Maria foi marcada por uma entrega total a Deus e aos irmãos, vivida com coragem, criatividade missionária e amor sem medidas.
Júlio Emílio Alberto De Lombaerde nasceu em 7 de janeiro de 1878, em Beveren-Leie, na região de Waregem, Bélgica. (Seu aniversário sempre foi celebrado dia 08 de janeiro, data de seu batismo, nascimento para a Igreja).
Antes de se tornar o conhecido missionário do Brasil, Pe. Júlio Maria viveu uma importante etapa de sua formação missionária na África. Em 1895, ainda jovem, ingressou entre os Missionários da África, conhecidos como Padres Brancos, e recebeu o nome religioso de Irmão Optato Maria. Durante cerca de seis anos, trabalhou em missões africanas, especialmente no Norte da África, exercendo tarefas simples e humildes, como auxiliar das comunidades missionárias. Foi nesse período que aprendeu a viver a pobreza evangélica, o espírito de sacrifício, a proximidade com os mais pobres e a dedicação total à missão.
A experiência africana, porém, foi marcada por grandes dificuldades. As duras condições de vida e sucessivas enfermidades abalaram sua saúde, levando seus superiores a determinar seu retorno à Europa. Recuperando a saúde, ingressou na Congregação dos Missionários da Sagrada Família, onde concluiu sua formação e foi ordenado presbítero em 1908. Sua devoção à Virgem Maria era tão profunda que adotou o nome "Júlio Maria", pelo qual se tornaria conhecido em toda a Igreja.
Antes de ser enviado ao Brasil, Pe. Júlio Maria viveu um período decisivo de preparação e amadurecimento missionário na Europa. Destacou-se especialmente como pregador de missões populares e conferencista, revelando desde cedo grande capacidade de comunicação e de aproximação com o povo. Convencido de que a palavra escrita poderia alcançar lugares onde o missionário nem sempre chegava, começou a produzir textos de formação religiosa e pastoral. Esse talento floresceria plenamente no Brasil, onde se tornaria um dos mais importantes escritores católicos de sua época.
Pe. Júlio Maria chegou ao Brasil em 1913. Durante os primeiros dezesseis anos de sua missão viveu nas regiões Norte e Nordeste, especialmente na Amazônia e em Macapá, enfrentando enormes dificuldades de transporte, comunicação e infraestrutura.
Não se limitou à atividade sacramental. Percorria longas distâncias para visitar comunidades, pregava missões populares, formava lideranças, construía escolas, organizava obras sociais e buscava responder às necessidades concretas do povo.
Foi nesse contexto missionário que nasceu uma de suas maiores preocupações: a formação cristã do povo. Convencido de que a evangelização exigia educação e acompanhamento permanente.
Foi nesse contexto amazônico que surgiu uma de suas obras mais duradouras: a fundação, em 1917, da Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria, hoje conhecidas como Irmãs Cordimarianas. Pe. Júlio Maria foi capaz de perceber as necessidades da missão e responder a elas com criatividade, formando novas lideranças e suscitando vocações para que o Evangelho pudesse alcançar cada vez mais pessoas.
Após dezesseis anos de missão no Norte, Pe. Júlio Maria transferiu-se para Minas Gerais, onde permaneceria pelos últimos dezesseis anos de sua vida. Foi nesse período que seu trabalho alcançou grande desenvolvimento.
Além de continuar pregando missões populares, fundou escolas, hospitais, albergues, jornais e diversas iniciativas voltadas para a evangelização e a promoção humana. Sua atuação era marcada pela convicção de que a fé cristã deve alcançar todas as dimensões da vida. Pe. Júlio dedicou-se intensamente à produção de livros, folhetos e materiais catequéticos. Tornou-se um dos escritores católicos mais lidos de seu tempo.
Também foi em Minas que nasceram outras duas famílias religiosas que perpetuam seu carisma:
Essas congregações continuam presentes em diversas regiões do Brasil, mantendo viva a espiritualidade eucarística, mariana e missionária do fundador.
Quando a Igreja reconhece as virtudes heroicas de uma pessoa, não afirma apenas que ela foi boa ou admirável. Afirma que viveu de modo extraordinário as virtudes cristãs da fé, esperança e caridade, bem como a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança.
A vida de Pe. Júlio Maria oferece inúmeros exemplos dessa heroicidade.
Sua fé manifestou-se na confiança inabalável na Providência, mesmo diante das dificuldades materiais das missões, particularmente das Congregações por ele fundadas.
Sua esperança sustentou-o em meio a doenças, incompreensões e desafios pastorais.
Sua caridade revelou-se na dedicação incansável ao povo, especialmente aos mais pobres e abandonados.
Sua fortaleza apareceu na coragem de abrir caminhos onde quase nada existia.
Sua humildade transpareceu numa vida simples, inteiramente dedicada ao serviço do Reino de Deus.
Sua perseverança manifestou-se no zelo apostólico, na defesa da fé, no acompanhamento de suas obras.
Não por acaso, seu lema era: "Amor e Sacrifício", síntese perfeita de sua espiritualidade missionária.
A declaração de Venerável representa um reconhecimento oficial da Igreja de que Pe. Júlio Maria viveu santamente. Trata-se de uma etapa fundamental no processo de beatificação.
A partir desse reconhecimento, a Igreja passa a propor sua vida como exemplo para todos os fiéis. Para a beatificação será necessário o reconhecimento de um milagre atribuído à sua intercessão, ocorrido após sua morte e devidamente comprovado pela Igreja.
Na qualidade de "Venerável", continuamos a dizer: "Pe. Júlio Maria, intercedei por nós!"
A razão é que o título de Venerável ainda não autoriza o culto público litúrgico. A Igreja reconhece oficialmente que a pessoa viveu as virtudes cristãs em grau heroico, mas ela ainda não foi beatificada nem canonizada. Por isso, nas orações privadas relacionadas à causa de beatificação, é comum utilizar a fórmula "intercedei por nós" ou "intercedei junto a Deus por nós", destacando o pedido de sua intercessão.
Já a expressão "rogai por nós" é tradicionalmente utilizada para os santos e beatos, que já receberam aprovação para o culto público da Igreja.
Num tempo em que a Igreja busca renovar seu ardor missionário, a figura do Venerável Pe. Júlio Maria torna-se especialmente atual.
Ele nos recorda a importância de uma evangelização próxima do povo, profundamente enraizada na oração, na Eucaristia e na devoção mariana.
Para a vida religiosa, seu testemunho mostra que os carismas autênticos nascem da escuta de Deus e do serviço generoso aos irmãos.
Para os cristãos leigos e leigas, sua vida é um convite à corresponsabilidade na missão da Igreja, à formação permanente da fé e ao compromisso com a transformação da sociedade à luz do Evangelho.
Mais de oitenta anos após sua morte, ocorrida em 24 de dezembro de 1944, nas terras do atual município de Alto Jequitibá, em Minas Gerais, a voz de Pe. Júlio Maria continua ecoando nas comunidades, paróquias, escolas e congregações que nasceram de seu trabalho missionário.
O reconhecimento de suas virtudes heroicas não encerra sua história. Pelo contrário, abre um novo capítulo. É a Igreja confirmando aquilo que tantas gerações de fiéis já testemunharam: Pe. Júlio Maria foi um verdadeiro homem de Deus, cuja vida continua iluminando os caminhos da missão e da santidade no Brasil.
O XVII Capítulo Geral Eletivo das Irmãs Sacramentinas de Nossa Senhora foi marcado por uma graça especial: enquanto a Congregação discernia os caminhos para os próximos anos, a Igreja reconhecia oficialmente as virtudes heroicas do Pe. Júlio Maria de Lombaerde, declarando-o Venerável. Um momento histórico que une gratidão pelas origens e esperança no futuro.
22 junho 2026
O reconhecimento das virtudes heroicas do Venerável Pe. Júlio Maria de Lombaerde enche de gratidão e esperança as três congregações por ele fundadas. Cordimarianas, Sacramentinos e Sacramentinas celebram juntos este importante passo rumo aos altares daquele que dedicou sua vida à evangelização, à Eucaristia, à devoção mariana e ao serviço dos mais pobres.
22 junho 2026
O Servo de Deus Júlio Maria De Lombaerde foi um missionário católico belga naturalizado brasileiro, tendo se destacado como escritor e evangelizador. Sua vida e legado religioso são marcados por numerosas realizações. Além da fundação das três Congregações religiosas, escreveu dezenas de obras literárias de apologética e catequese, além de atuar fortemente na construção de hospitais, patronatos e escolas para os vulneráveis.
18 junho 2026
A Igreja reconheceu oficialmente as virtudes heroicas do missionário Pe. Júlio Maria de Lombaerde. A notícia foi acolhida com emoção pelos Sacramentinos de Nossa Senhora, pela Diocese de Caratinga e por milhares de fiéis que veem no fundador um exemplo luminoso de amor a Cristo, devoção mariana e ardor missionário.
18 junho 2026