Por Da redação
Celebrar os 97 anos de O Lutador, fundado em 25 de novembro de 1928, é revisitar uma das mais significativas histórias da comunicação católica no Brasil. Criado pelo Pe. Júlio Maria de Lombaerde, missionário belga profundamente dedicado à evangelização, o jornal nasceu em Manhumirim (MG) como resposta pastoral a um tempo de desafios culturais, religiosos e sociais. Sua insígnia — Bonus miles Christi, o Bom Soldado de Cristo — revela o espírito que marcou sua origem: uma comunicação firme na fé, clara no anúncio e fiel à missão da Igreja.
Desde seus primeiros passos, O Lutador tornou-se muito mais do que um jornal. Foi um espaço de formação, de debate e de orientação pastoral. Em um Brasil que ainda assimilava a separação entre Igreja e Estado, convivia com novas correntes religiosas e enfrentava transformações sociais profundas, o periódico atuou como farol para muitas comunidades católicas. Suas páginas explicavam a doutrina, iluminavam temas sociais, interpretavam documentos da Igreja, formavam consciências e ajudavam o povo simples a compreender e viver a fé no cotidiano.
Ao longo de sua trajetória, O Lutador assumiu papel decisivo na formação dos cristãos leigos e leigas, oferecendo conteúdo acessível e seguro sobre fé, espiritualidade, liturgia, vida familiar e participação social. Muito antes de o protagonismo leigo tornar-se tema central da pastoral brasileira, o jornal já estimulava homens e mulheres a assumir sua missão na Igreja e no mundo, a viver a fé com responsabilidade e a transformar seus ambientes com o testemunho do Evangelho. Dessa maneira, contribuiu para o surgimento e o fortalecimento de lideranças cristãs, movimentos, pastorais e comunidades que, pouco a pouco, foram moldando o rosto laical da Igreja no Brasil.
Presença nos grandes momentos da vida eclesial
O Lutador não apenas acompanhou, mas também ajudou a interpretar grandes momentos da vida eclesial: a renovação litúrgica, o impulso missionário, o florescimento das comunidades eclesiais de base, a criação do CNLB, a expansão das pastorais sociais e o surgimento de uma consciência cidadã inspirada na Doutrina Social da Igreja. Sempre atento ao cenário nacional, apresentou ao povo de Deus uma leitura cristã dos acontecimentos, orientada pela fé e pelo compromisso com a justiça, a vida e a dignidade humana.
Sua trajetória revela também umaa fidelidade criativa. Do jornal tabloide impresso em tipografia manual, passando pelas edições em linotipo, do jornal à revista impressa, foi um passo importante, costurado com dificuldades, mas fundamental para sua existencia, até chegar ao atual formato digital totalmente aberto e responsivo, O Lutador soube renovar os meios sem abandonar sua essência. Hoje, em meio aos desafios da comunicação veloz e fragmentada, o jornal permanece como fonte confiável de formação e discernimento, reafirmando a presença evangelizadora da Igreja no ambiente digital.
A história de O Lutador está intimamente ligada à Congregação dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora, às obras sociais, educativas e evangelizadoras de Manhumirim e ao legado do Pe. Júlio Maria, cujo ideal missionário continua fecundo quase um século depois. Por tudo isso, o jornal tornou-se patrimônio vivo da Igreja do Brasil, preservando uma memória histórica preciosa e, ao mesmo tempo, projetando-se para o futuro com coragem e fidelidade ao Evangelho.
Ao celebrar seus 97 anos, reconhecemos e agradecemos a contribuição deste veículo que atravessa gerações formando discípulos missionários, fortalecendo o papel dos cristãos leigos e leigas e oferecendo ao Brasil um testemunho de comunicação comprometida com a vida, a família, a fé, sempre a serviço do Reino de Deus.
Parabéns, O Lutador! Que sua luz continue iluminando caminhos e inspirando novas gerações de evangelizadores.
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