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“A Igreja corre o risco de perder as mulheres que pensam”

Por Ivone Gebara

Na entrevista concedida ao portal espanhol Religión Digital, a teóloga brasileira Ivone Gebara, uma das vozes mais representativas da teologia feminista no mundo, denuncia com lucidez e coragem os limites da estrutura patriarcal da Igreja Católica, apontando suas contradições diante das mulheres e da justiça evangélica.

Segundo Gebara, a teologia eclesial construiu, ao longo dos séculos, uma imagem da mulher ligada ao ideal do serviço, da beleza controlada, da obediência e do silêncio. “A mulher boa é a que serve, a mãe cuidadora, a zeladora da Igreja”, afirma. Essa visão, diz ela, sustenta uma lógica de submissão ainda reforçada nas relações cotidianas com o clero: “Muitas mulheres continuam servindo aos padres por falta de alternativa e por consolo, porque às vezes o padre parece melhor que o marido violento”.

A teóloga critica a maneira como o discurso oficial utiliza figuras como Maria para manter o status quo, romantizando sua importância como “mais importante que os apóstolos”, mas sem implicações práticas de igualdade. Para ela, isso “não vem do Evangelho”.

Sobre a exclusão das mulheres do ministério ordenado, Gebara afirma que se trata de uma escolha histórica e política, e não teológica. “A hermenêutica bíblica feminista vê outras coisas, mas não somos ouvidas nem lidas. A Igreja tolera o feminino, mas teme o feminismo”, lamenta. A recente inclusão de três mulheres na Comissão Teológica Internacional, segundo ela, é simbólica e insuficiente. “Falta representatividade real e compromisso com a mudança”.

Questionada sobre o futuro, ela é realista: “A Igreja já perdeu os operários, já perdeu o campesinato e vai perder as mulheres que pensam”. Sua proposta é clara: incentivar a organização de mulheres em comunidades de estudo e reflexão, e estimular que os homens católicos também se posicionem publicamente pela transformação. “Mudar a teologia é urgente”, conclui.

Com firmeza e esperança, Ivone Gebara aponta que o Evangelho não pode ser usado para sustentar desigualdades. É tempo de conversão pastoral e estrutural. Ou a Igreja caminhará rumo à irrelevância para quem busca justiça e dignidade.

Leia o texto completo em IHU

Este resumo contou com ajuda da IA

 

 

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