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Entre o sagrado e o produtivo: o desaparecimento do descanso e da festa na sociedade contemporânea

Por A redação

O filósofo Byung-Chul Han chama atenção para algo muito sério: estamos desaprendendo a descansar de verdade. Antigamente, o descanso era visto como algo sagrado, diferente do trabalho. Não era só parar para recuperar energia, mas um tempo especial, cheio de sentido, vivido em comunidade e, muitas vezes, ligado à fé.

Hoje, isso mudou. O trabalho invadiu tudo. A gente vive como se o tempo inteiro fosse tempo de produzir, correr, resolver coisas. E quando a vida vira só trabalho, ela fica vazia, passageira, sem profundidade. Parece que os dias passam rápido demais — e quase todos iguais.

Antes, existiam as festas, os encontros, os rituais. Eles uniam as pessoas, criavam laços, davam alegria e sentido à vida. Hoje, no lugar disso, temos “eventos”. Mas evento não é a mesma coisa: é algo passageiro, que a gente consome e vai embora. Pode juntar muita gente, mas não cria comunidade de verdade.

Outro problema é que a gente desaprendeu a descansar. Mesmo no tempo livre, muita gente fica inquieta, sem saber o que fazer. O descanso vira um vazio incômodo. É aí que aparece até a chamada “doença do lazer”: pessoas que só conseguem parar quando ficam doentes — dor de cabeça, cansaço, mal-estar — justamente nos momentos em que poderiam descansar.

Isso acontece porque vivemos pressionados a produzir o tempo todo. A lógica é: nunca parar. E, aos poucos, isso vai destruindo também a convivência. As pessoas se encontram menos, celebram menos, vivem mais sozinhas.

Além disso, perdemos algo muito importante: a capacidade de contemplar, de parar e simplesmente estar. O sistema em que vivemos não permite isso. Tudo precisa ser útil, produtivo, comparável. No fim, tudo fica meio igual — sem beleza, sem diferença, sem profundidade.

Antigamente, o tempo tinha sentido. Cada dia tinha um valor, fazia parte de uma história maior. Hoje, parece que o tempo virou só uma sequência de tarefas. Não contamos mais histórias — contamos números, resultados, metas.

A reflexão de Han é um alerta: se não recuperarmos o valor do descanso, da festa, do encontro e do sentido do tempo, corremos o risco de viver muito… mas viver mal. Porque uma vida só de trabalho não é vida plena — é uma vida empobrecida.

 

 

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