Por William Gallone
William Gallone – Cidade do Vaticano
Religioda, missionária, mártir, mas sobretudo uma mulher comprometida contra o desmatamento e pelos direitos das populações indígenas brasileiras, Irmã Dorothy Stang “foi um exemplo de como colocar em prática a Encíclica Laudato si do Papa Francisco, o que fazia dela uma pessoa incômoda e porque, há vinte anos, foi morta a tiros por uma série de criminosos".
Assim começou, falando à mídia vaticana, a professora Laurie Jonhston, docente de Teologia no Emmanuel College de Boston, que na noite de sexta-feira, 10 de janeiro, participou da vigília em memória da Irmã Dorothy, presidida pelo secretário do Dicastério para as Causas dos Santos, dom Fabio Fabene, no Santuário dos Novos Mártires na Igreja San Bartolomeo all Isola, em Roma, organizado pela Comunidade de Sant Egidio.
Durante o evento, foram entregues duas preciosas lembranças da Irmã Dorothy Stang, religiosa da Congregação de Nossa Senhora de Namur, nascida em Dayton, Ohio, em 1931 e assassinada em 2005 em Anapu, no Pará brasileiro: um punhado de terra proveniente do local do assassinato e uma camisa usada pela freira estadunidense, cuja figura foi lembrada no recente Sínodo para a Amazônia.
Terra e camisa, elementos símbolo da dedicação e sacrifício, de quem suja as mãos permanecendo apegado à vida cotidiana, necessários para uma pessoa que - como recorda a professora Johnston - “para difundir a sua mensagem partiu das bases: ensinou aos povos indígenas o respeito e a importância da floresta, que não deve ser agredida e pisoteada, mas sim protegida e amada, pois é patrimônio de todos, especialmente daqueles que nela vivem.
Irmã Dorothy ministrou cursos e encontros para capacitar mulheres camponesas, fez estudar os direitos sociais, as políticas públicas para a saúde, a maternidade e a sexualidade. Sem nunca esquecer a importância da Bíblia, voltada a descobrir e aprofundar o papel da mulher como instrumento necessário para alcançar a libertação de um povo".
Gerar consciência, abrir espaços, lutar por justiça. “Talvez precisamente pela sua dedicação a certos compromissos tornou-se uma pessoa incômoda, a ser removida", comenta Johnston.
O assassinato ocorreu em 12 de fevereiro de 2005. Como de costume, a Irmã Dorothy estava a caminho para visitar algumas famílias indígenas na floresta. Ele já havia recebido ameaças de morte, mas até então sempre respondia: “Não vou fugir, nem abandonar a luta desses agricultores, que vivem sem proteção, no meio da floresta”.
Com um sorriso, a Irmã Dorothy dizia que “ninguém mata uma senhora com mais de 70 anos”. No entanto, naquela manhã, a gangue de homens armados recusou até mesmo o dinheiro oferecido em troca de sua vida.
O conflito com a população local havia atingido níveis insuportáveis ??e as habilidades da Irmã Dorothy haviam gerado resultados tão chocantes quanto irritantes. Assim, seis tiros disparados pelos inimigos da natureza, da população local, da criação, mataram Irmã Dorothy.
O trabalhador já não se percebe como sujeito coletivo. A experiência comum de luta foi substituída por trajetórias individualizadas, marcadas pela lógica do desempenho. A precarização deixou de ser entendida como injustiça estrutural e passou a ser interpretada como fracasso pessoal...
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