Dom Paulo Mendes Peixoto*
Todo esse processo, envolvente do pleito eleitoral, realizado, de tempo em tempo no Brasil, tem a justa finalidade de projetar uma evidente harmonia social e de convivência, para possibilitar a vida dos cidadãos. Portanto, é momento histórico sublime e abençoado por Deus. A grandeza do ato cria laços fortes, mas quando é assumido em vista do bem comum, como nos laços próprios de um matrimônio.
O casamento tem, por própria condição natural, gerar vida, possibilitar que ela se desenvolva historicamente e dar condição para que a pessoa se torne feliz. Isto não é diferente no campo político. Quando votamos em determinado candidato, está presente em todos nós, eleitores, a expectativa de uma autêntica e futura administração, totalmente voltada para o bem social e a possibilidade da vida.
Quando Cristo fala da dureza de coração (cf. Mc 10,4), Ele estava se referindo ao fechamento das pessoas nas suas relações de convivência, tanto em nível familiar como social, evidenciando ainda as consequências do individualismo político, que pode prejudicar a vida social e impedir que aconteça o bem de todos. É por isto que o tempo eleitoral tem um significado de alta responsabilidade.
Passado o primeiro turno das eleições municipais de 2024, em muitas cidades, que têm mais de 200 mil habitantes, acontece o segundo turno. É outro momento de o eleitor ligar as antenas para não dar um voto de consequências desastrosas. Sempre dizemos a famosa frase: “Voto não se vende, porque ele tem consequências”, seja para o bem ou para o mal viver da população local.
No campo da criação divina, tornamo-nos cocriadores com Deus e responsáveis pela conservação da natureza. É gesto político, no sentido de uma boa administração dos bens, que são de toda a população, porque formamos uma grande família e dependemos daquilo que é necessário para bem viver. É agressão à natureza não cuidar bem da coisa pública e não administrar com responsabilidade.
As escolhas pessoais devem acontecer num clima profundo de serenidade e evitar que surjam animosidades na convivência. Tendo tudo passado, agora é superar as arestas provocadas pelas paixões individuais. É preciso sublimar os corações duros para saber ganhar e saber perder. Queira ou não, são mais quatro anos de gestão pública, mas que deve se pautar por possibilitar a vida.
* Arcebispo de Uberaba.
Foto: Pixabay
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