Por IHU
A entrevista com o jesuíta David Neuhaus, publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos, traz uma reflexão profunda e provocadora sobre os conflitos no Oriente Médio e seu significado à luz da fé cristã. Para ele, não há meio-termo: “toda guerra militar é uma guerra contra Deus”, pois nega diretamente o projeto divino de vida, justiça e fraternidade.
Neuhaus parte da realidade concreta da Terra Santa, marcada por décadas de violência, ocupação e conflitos. Ele lembra que a situação atual não surgiu do nada, mas é fruto de processos históricos longos, ligados ao colonialismo, à criação do Estado de Israel e à negação dos direitos do povo palestino. Esse contexto alimenta um ciclo contínuo de guerras, ódio e sofrimento.
Um dos pontos centrais da entrevista é a denúncia da guerra como fracasso humano e espiritual. Para o jesuíta, a violência destrói não apenas vidas, mas também a alma das sociedades envolvidas. Ela gera desumanização, impede o reconhecimento do outro como irmão e rompe com o coração da mensagem de Jesus, que é o amor ao próximo e até ao inimigo.
Ao falar da vivência cristã em meio ao conflito, Neuhaus destaca o sofrimento das comunidades locais, que celebram a fé em condições extremamente difíceis, muitas vezes com restrições, medo e luto. Ainda assim, ele vê nessa realidade uma possibilidade de viver o Evangelho de forma mais autêntica, em sintonia com a experiência dos primeiros cristãos, que também enfrentaram perseguição e insegurança.
A entrevista também aponta para uma crítica forte às lideranças políticas, frequentemente incapazes de romper com a lógica da guerra. Segundo Neuhaus, muitos discursos alimentam divisões, criando a ideia de que há “bons” de um lado e “maus” do outro — uma visão simplista que perpetua o conflito e impede soluções reais.
Por fim, o jesuíta reafirma que a paz não é utopia, mas escolha. Ela exige coragem para reconhecer a dignidade do outro, disposição para o diálogo e compromisso com a justiça. Nesse sentido, a fé cristã não pode ser neutra: deve posicionar-se claramente contra toda forma de violência e a favor da vida.
Assim, a reflexão de David Neuhaus ecoa como um chamado urgente: seguir Jesus hoje significa rejeitar a guerra e trabalhar, concretamente, pela construção da paz — mesmo nas realidades mais difíceis.
Confira a entrevista completa em IHU
A paz não é utopia, mas escolha. Ela exige coragem para reconhecer a dignidade do outro, disposição para o diálogo e compromisso com a justiça. Nesse sentido, a fé cristã não pode ser neutra: deve posicionar-se claramente contra toda forma de violência e a favor da vida.
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