Da limitação da deficiência à possibilidade de ser humano

As pessoas com deficiência têm sido, ao longo da história da humanidade, tratadas de diversas formas perante o meio social. Aqui no Brasil, as mudanças são encontradas no próprio uso do termo para designar uma pessoa com deficiências – PCD. Outrora eram chamadas de “incapazes”, “aleijados”, “deficientes”, “pessoa portadora de deficiências” e, mais recentemente, chamadas de “pessoas com deficiências” ou “especiais”, termos mais aceitáveis para demonstrar a real condição de tais pessoas, sem as atrelar a uma ideação negativa. Em termos conceituais, as PCD são aquelas que apresentam significativas diferenças físicas, sensoriais ou intelectuais, de caráter permanente, e que acarretam dificuldades ou incapacidades em sua interação com o meio físico e social. Na tentativa de equiparar oportunidades e acesso ao meio social em condições de igualdade com as pessoas sem deficiências, várias organizações têm-se manifestado, entre as quais a Organização das Nações Unidas – ONU, que, em 1975, aprovou a Declaração dos Direitos das Pessoas Portadoras de Deficiência. Em 2008 os critérios estabelecidos na Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência foram incorporados à legislação brasileira com equivalência de emenda constitucional. Entre tais critérios estão a promoção, proteção do exercício pleno e equitativo de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais, de modo a assegurar o respeito pela dignidade das pessoas. Em termos práticos, há uma tentativa de equiparação de oportunidades e acessibilidade por meio de mudanças efetivas, entre as quais a lei federal 8.213/91, que garantiu a contratação de pessoas com deficiência em empresas com 100 funcionários ou mais, e o programa “Viver Sem Limites”, com o objetivo de adaptar o meio físico, implementar e intensificar ações desenvolvidas para garantir a inclusão desse grupo. É importante não perder de vista que a ideia de inclusão está imersa na realidade de exclusão. A Secretaria de Direitos Humanos e outros órgãos só são necessários em meio às desigualdades de oportunidades vivenciadas por PCD frente a uma realidade construída principalmente para pessoas sem deficiências. Tendo os direitos garantidos, as pessoas poderão deixar de ser vistas como “marginalizadas”, “deficientes”, “pessoas dignas de pena” e passarão a ser vistas pelo que realmente são: humanas, seres de potencialidades e possibilidades, em constante construção, sem limites e sem fronteiras.*

 

 

Últimas notícias

Transe democrático: “Enquanto a extrema-direita for viável, eleições terão risco de desconstrução da ordem”

Entrevista

[Luis Felipe Miguel] A resistência no Brasil é dificultada pelo fato de que temos tantos agentes políticos importantes que atuam deliberadamente como cúmplices da investida estadunidense contra nós. Isso inclui parlamentares, grupos empresariais, autoridades do Poder Judiciário, chefes militares.

07   outubro   2026

A missão de Deus nos coloca a caminho

Missão

A missão não começa na Igreja. Ela começa em Deus. Essa é uma das ideias centrais apresentadas pelo padre Stefano Raschietti no Simpósio Internacional Missiológico, realizado no Chile, ao refletir sobre a passagem da Missio Dei à Missio Ecclesiae: da missão de Deus à missão da Igreja.

02   outubro   2026

Um caminho de renovação do Plano Geral de Formação

Vocacional

[Mariano] Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora avançam em um processo de escuta, discernimento e renovação da formação religiosa

01   outubro   2026

O VOTO E O BEM COMUM

Atualidade

[Ivan Zumalde] A urna é o espelho moral e coletivo do que desejamos como sociedade. O voto não muda a vida de ninguém isoladamente; ele transforma a vida da comunidade.

01   outubro   2026
Utilizamos cookies para melhor navegação. Ao utilizar este website, você concorda nossa Política de Cookies e pode alterar suas Preferência de Cookies. Consulte nossa Política de Privacidade.
Não aceito