F/ Dione Afonso

 

Assembleia de Estudos reúne os Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora, na Casa-Mãe, em Manhumirim

Por Ir. Dione Afonso, SDN

Encontro aconteceu entre os dias 31 de março a 04 de abril de 2025. A Casa-Mãe, em Manhumirim-MG acolheu os Missionários vindos de suas regiões de missão para refletirem e partilhar juntos. O assessor, que conduziu o encontro sob a ótica do Centenário de Fundação da Congregação é o Pe. Antônio Carlos Ferreira, CMF, Missionário Claretiano, natural de Pouso Alegre-MG, é escritor, Mestre em Antropologia Teológica e em Teologia com ênfase em Bíblia. Possui pós-graduação em Psicopedagogia e Parapsicologia. A Assembleia de Estudos teve como horizonte de reflexão os 100 anos da Congregação e os desafios para o novo processo capitular que se aproxima.

Partindo da filosofia do sul-coreano Byung-Chul Han em sua obra “Sociedade do Cansaço”, Pe. Antônio inicia a reflexão trazendo elementos sociais que marcam a nossa convivência e põe em risco valores da Vida em Comunidade, como a Fraternidade, algo tão caro e essencial para nós. Como “portas de saída” dessa realidade que nos assola, Pe. Antônio apresenta a ideia do papa Francisco o “Jubileu da Esperança”, como peregrinos, somos seres humanos que peregrinam rumo a um futuro do perdão e da abertura ao Projeto de Deus.

Os Missionários Sacramentinos e a Sociedade do Cansaço

Vivenciamos, com muita frequência, a realidade pastoral em que pautamos nossas ações nas demandas, na produção, no produto do que na experiência de fé, no projeto, nos processos de evangelização. “Já é próprio de nós fazermos uma experiência profunda do divino”, afirma o assessor. E continua, “os Missionários Sacramentinos celebram 100 anos a serviço da vida. Reler a história da Congregação com gratidão; abraçar o presente da missão com encantamento e propor novos processos de renovação congregacional com esperança e ousadia proféticas”.

Pe. Antônio ainda ressalta que hoje, a Vida Religiosa Consagrada está imersa em um mundo de mudanças aceleradas. Os desafios multiplicam, especialmente para uma Nova Geração digital, volátil, insegura e perdida e, gerações mais experientes, mais informadas, desafiadas a repensar formas de testemunho e comunhão intergeracional. De Byung-Chul Han, o assessor destaca 5 sinais de uma sociedade cansada e que ele chama de epidemias que afetam e adoecem a Vida Comunitária Religiosa:

  1. A sociedade do desempenho: nunca é suficiente. Vivemos sob a ilusão de que podemos [e devemos] sempre mais – produtividade, espiritualidade, felicidade. Na VR a oração vira uma meta, um “indicador de eficácia”;
  2. Excesso de positividade: seja feliz a qualquer custo! A tristeza e o cansaço são vistos como falhas morais. Na VR a alegria evangeliza é confundida com sorriso obrigatório – ninguém pode admitir crises ou dúvidas;
  3. Individualismo e isolamento [solidão em meio à multidão]: conectados, mas sozinhos. Mesmo em comunidade, vivemos como ilhas de autocobrança. Na VR refeitórios silenciosos, celulares à mesa – juntos, mas distantes;
  4. Cultura do excesso [obesidade interior]: mais informação, mais atividades, mais consumo. Mas nada nutre de verdade;
  5. Vigilância e autovigilância: Big Brother sou eu. Nós vigiamos mais do que qualquer sistema opressor. Na VR o olhar do outro vira julgamento constante. Será que rezei o suficiente? Estou fazendo tudo certo?

Como resposta a esta sociedade que estamos inseridos, que nos identificamos com ela e que somos diretamente afetados por ela, a segunda parte da reflexão nesta Semana de Estudos é condicionada com o horizonte de esperança, como peregrinos, convidados pelo Papa a celebrar, também na Vida Religiosa um “Jubileu de Esperança”, em que, ao passar pela “Porta Santa”, busquemos entre nós o perdão, a misericórdia, a reconciliação com aquele irmão nosso.

Missionários Sacramentinos: um “Ser-Peregrino”

“Ser peregrinos é da nossa essência humana”, diz Pe. Antônio, CMF. O assessor parte da Bula papal que promulga o Jubileu 2025 e apresenta um horizonte que precisa ser marcado pela esperança. “Peregrinar” e “Esperançar”, é tornar verbo algo que é fundamentalmente humano. “Todo ser humano é aventureiro por essência. Com ardor, ele anseia por uma causa última pela qual viver”, diz o assessor. O Jubileu da Esperança nos convida a “fazer estrada”, numa viagem em busca do mundo interior, sede de desejos, daquilo que é importante e essencial.

Depois ele apresenta a ideia da “Investigação Apreciativa” e fala, sobretudo de uma mudança no jeito de falar, mudar a linguagem, pois ela configura a nossa realidade. Nestes 100 anos de história, de “serviço a vida” e de esperança, os Missionários Sacramentinos se aproximam de um processo Capitular que busca sua identidade no Carisma, que, nas palavras do Pe. Antônio Carlos Ferreira, CMF, “o carisma é uma janela aberta do Evangelho para o mundo”.

 A Assembleia encerrou-se com um momento de comunicações internas e o jantar no final da tarde de quinta-feira 03 de abril. Entre as comunicações, a mobilização para o 13 de maio, dia de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, o retiro anual na primeira semana de junho e os passos para o Capítulo Geral que será celebrado em outubro próximo. Deus nos conduza em Seus passos.

 

 

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