F/ Dioc. Caxias Sul (Reprodução)

 

CEBs: resistir, discernir e caminhar com o povo

Por Iser Assessoria

Desde 2010, o Iser Assessoria promove seminários voltados à reflexão e articulação das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), reunindo experiências diversas do Brasil. Com base nesses encontros, incluindo o seminário nacional “CEBs e Juventudes” (2024), a equipe do Iser sistematizou aprendizados usando a metodologia do VER, JULGAR e AGIR, a fim de apoiar o discernimento pastoral e eclesial sobre o futuro das CEBs.

VER: As CEBs vivem e resistem
Apesar de não terem o mesmo vigor organizativo dos grandes encontros intereclesiais do passado, as CEBs continuam existindo como expressão de fé encarnada na realidade social. Enfrentam resistências dentro da própria Igreja, especialmente devido à sua relação com a dimensão política da fé. A crítica, muitas vezes, parte de setores eclesiais que confundem neutralidade com omissão diante do sofrimento social e que, paradoxalmente, se aliam a ideologias de extrema direita. Soma-se a isso o avanço de um modelo clerical e autorreferencial, que esvazia os espaços de participação e desmobiliza lideranças comunitárias. Ainda assim, as CEBs mantêm sua vitalidade, graças à resistência de pessoas e comunidades comprometidas com o Evangelho e com o povo.

JULGAR: Fidelidade ao Evangelho e à Igreja
As CEBs buscam caminhar em comunhão com a Igreja, apoiadas nos fundamentos do Concílio Vaticano II e no magistério de papas como Paulo VI e Francisco, que reconhecem sua eclesialidade. Inspiradas no modelo comunitário dos primeiros cristãos, as CEBs afirmam que a vivência comunitária continua sendo um antídoto ao individualismo e uma resposta evangelizadora eficaz, sobretudo nas cidades. Três pilares sustentam essa experiência: a centralidade da Palavra de Deus, mecanismos efetivos de participação e uma solidariedade política que encarna o amor cristão na vida concreta do povo.

AGIR: Diversidade de contextos, fidelidade ao caminho
A caminhada das CEBs hoje se dá em três cenários distintos: dioceses/paróquias sem CEBs, com CEBs, e de CEBs. Em cada realidade, o desafio é manter viva a identidade comunitária, mesmo quando não há apoio institucional. A atuação em rede, a formação de comissões e a valorização das pequenas comunidades são caminhos possíveis. Em alguns lugares, como na Diocese de Cachoeiro do Itapemirim, as CEBs estruturam toda a vida pastoral. O que se exige, sobretudo, é ousadia profética, fidelidade ao Evangelho e coragem para resistir ao clericalismo e à superficialidade pastoral.

A partir de seus seminários e publicações, o Iser Assessoria conclui que as CEBs não são uma estrutura do passado, mas uma expressão viva de uma Igreja sinodal, missionária e comprometida com os pobres – como deseja o Papa Francisco. O caminho, ainda que difícil, continua sendo feito com esperança e pé no chão.

Veja o trabalho completo em Portal das CEB´s

 

 

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