Por Dom Paulo Mendes Peixoto
A família doméstica é espaço onde tudo pode acontecer, dependendo do ângulo por onde se olha. Não deixa de ser ambiente que favorece o amor, ambiente de ternura, de alegria e de solidariedade, mesmo enfrentando inúmeras dificuldades que a tocam nos tempos hodiernos. O apóstolo Paulo diz: “revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência” (Cl 3,12).
Aparece, diante dos olhos da cultura dos últimos tempos, a tendência de enxergar o modelo familiar de cinquenta anos passados e fazer um paralelo com a realidade do cotidiano. A essência, de fundo, é a mesma, isto é, o amor, mas o contexto social é totalmente outro, os valores que contam divergem, forçando reinventar um novo modelo familiar, porque as pessoas são frutos do meio em que vivem.
Podemos chamar de família uma determinada comunidade de pessoas. Não é possível descartar dali a prática das relações, dos vínculos como, por exemplo, comunhão, fraternidade e caridade. Também, diante das reais mudanças, que apresentam um novo perfil de relacionamentos sociais, é necessário assumir nova mentalidade e novo estilo de vida para transformar a comunidade em família.
Celebrar a Festa da Sagrada Família deve ser momento de resgate da aliança com Deus e de renovar as relações com o outro no contexto da comunidade, na comunhão e na fraternidade, conforme sugere a carta aos Colossenses (3,12-13). Nada mais é do que atitude de verdadeira caridade e de sabedoria divina, que supõe experiência cristã e total assentimento por Jesus Cristo.
Uma das marcas necessária da família e a capacidade de solicitude de seus membros, o cuidado de um com os outros, fato que deve ser reinventado devido ao transformar da sociedade. O direito e as exigências sociais de hoje são desafiantes e exercem grande influência nas relações familiares. São gritantes as fragilidades que precisam ser enfrentadas para não deixar cair por terra os objetivos.
O contexto familiar depende muito de delicadeza e de amor de uns para com os outros. Delicadeza no sentido de solidariedade e de respeito na convivência. Todos somos seres humanos, imbuídos de socialidade, de calor humano e dependência natural. É importante olhar para a família de Nazaré, o contexto familiar do tempo e a forma como os três, Maria, José e Jesus agiram no relacionamento.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.
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