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Um em Cristo, unidos na missão “Para que o mundo creia” (Jo 17,21)

Por Joaquim Jocélio de Sousa Costa

A missão é o coração da Igreja, é sua razão de ser, de existir. Somos a comunidade dos seguidores e seguidoras de Jesus para continuar no mundo sua missão de fazer o Reino de Deus acontecer. Sem a missão, não existe Igreja. Para nos recordarmos daquilo que é mais próprio do nosso ser, a Igreja escolheu o mês de OUTUBRO para rezarmos e refletirmos sobre a missão.

Geralmente, nós associamos missão com as visitas que acontecem em momentos fortes nas casas, em que se conversa com as famílias, lê-se um trecho da Bíblia e se reza com as pessoas. Mas esse é apenas um momento da missão. A missão tem a ver com toda a nossa vida; trata-se de viver como Jesus, testemunhar com palavras e obras o que Jesus disse e fez. Isso significa que evangelizamos até quando nada dizemos. São Francisco já aconselhava seus frades a evangelizar e, se fosse preciso, que eles usassem palavras. O papa Bento XVI escreveu que “o cristão sabe quando é tempo de falar de Deus e quando é justo não o fazer, deixando falar somente o amor” (DCE 31c).

Tudo o que o cristão faz deve ser expressão de sua missão: o jeito de falar, de tratar as pessoas, de não calar diante das injustiças, o modo de agir etc. Por isso, o papa Paulo VI definiu evangelização como o ato de “chegar a atingir e como que a modificar pela força do Evangelho os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade, que se apresentam em contraste com a Palavra de Deus e com o desígnio da salvação” (EN 19).

Sendo assim, missionário não é apenas aquele que viaja para evangelizar na Amazônia, na África ou na Ásia. Todos os cristãos são missionários. Como nos recorda o Papa Francisco: “Em virtude do Batismo recebido, cada membro do povo de Deus tornou-se discípulo missionário (cf. Mt 28, 19). Cada um dos batizados, independentemente da própria função na Igreja e do grau de instrução da sua fé, é um sujeito ativo de evangelização, e seria inapropriado pensar num esquema de evangelização realizado por agentes qualificados enquanto o resto do povo fiel seria apenas receptor das suas ações” (EG 120).

Assim, para fortalecer nossa missão de fazer o Evangelho de Jesus germinar entre nós, o tema do mês das missões é: Um em Cristo, unidos na missão; e o lema é “Para que o mundo creia” (Jo 17,21). Somos convidados a refletir sobre a necessidade de caminharmos juntos como povo de Deus. “Existem dons diferentes, mas o Espírito é o mesmo; diferentes serviços, mas o Senhor é o mesmo; diferentes modos de agir, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. Cada um recebe o dom de manifestar o Espírito para a utilidade de todos” (1Cor 12,4-7). Há uma diversidade de pensamentos, posições, jeitos de rezar e pregar na Igreja. Isso não é ruim, mas obra do próprio Espírito.

A questão é não tomarmos as diferenças como desculpa para a divisão e esquecermos nossa missão comum: fazer o Reino de Deus acontecer entre nós. Só unidos conseguiremos exercer bem a missão. A divisão entre nós é um contratestemunho e atrapalha o anúncio. Precisamos partilhar os frutos e desafios da missão, aprender uns com os outros. E buscar caminhar juntos, não só entre os da mesma Igreja, mas com irmãos e irmãs de outras igrejas, religiões ou mesmo pessoas sem religião, mas que praticam o bem, pois “o paradoxo é que, às vezes, quantos dizem que não acreditam podem viver melhor a vontade de Deus do que os crentes” (FT 74).

O papa Leão XIV, na missa de início do seu pontificado, trouxe uma bela iluminação sobre nosso agir missionário e que nos ajuda a focar no que é mais essencial, permanecendo unidos na missão. Ele afirmou: “No nosso tempo, ainda vemos demasiada discórdia, demasiadas feridas causadas pelo ódio, a violência, os preconceitos, o medo do diferente, por um paradigma econômico que explora os recursos da Terra e marginaliza os mais pobres. E nós queremos ser, dentro desta massa, um pequeno fermento de unidade, comunhão e fraternidade... Este é o espírito missionário que nos deve animar, sem nos fecharmos no nosso pequeno grupo nem nos sentirmos superiores ao mundo”. Sejamos o fermento do amor de Jesus para transformar a realidade segundo o Evangelho. Sejamos missionários e missionárias do Reino de Deus!

* Joaquim Jocélio de Sousa Costa - Presbítero da Diocese de Limoeiro do Norte-CE

 

 

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