Por Felipe Koller / Redação
No texto “Teologia da Libertação: ‘oportuna, útil e necessária’, e quem disse foi S. João Paulo II”, Felipe Koller parte de uma crítica comum no meio católico brasileiro — a ideia de que a teologia da libertação teria sido condenada como herética — para mostrar que, na verdade, João Paulo II defendeu desde cedo uma leitura positiva e criteriosa desse movimento teológico. Ele lembra que, logo após sua eleição, o papa já reconheceu a necessidade de uma “teologia da libertação de dimensão universal”, não limitada à América Latina, pois ele via liberdade como um valor inerente ao Evangelho (“para o qual Cristo libertou-nos” — Gl 5,1).
Koller então revisita discursos do pontificado, destacando que João Paulo II não apenas admitiu, mas incentivou uma teologia da libertação “purificada dos elementos que poderiam adulterá-la”. Em encontros com bispos, o papa indicou que a Igreja tinha o dever de aprofundar reflexões teológicas que respondessem às realidades de injustiça, desigualdade e opressão, mas sempre em fidelidade ao Evangelho, à Tradição e ao Magistério (por exemplo, por meio dos documentos Libertatis Nuntius e Libertatis Conscientia). Ele advertiu contra versões da teologia da libertação que se deixassem capturar por ideologias marxistas, reduzindo a salvação à transformação política e social, ou tratando o pecado pessoal como irrelevante.
O texto acompanha ainda o pontificado de Bento XVI, que reconheceu os desafios e excessos da teologia da libertação — sobretudo no uso acrítico de categorias marxistas e visões milenaristas — mas também defendeu o direito ao debate teológico para que a Igreja respondesse aos clamores da justiça social. Bento XVI enfatizou que o magistério não pretendia destruir o compromisso com a justiça, mas corrigi-lo nos seus deslizes, distinguindo entre a missão política legítima e o papel espiritual da Igreja.
Koller alerta para o risco de caricaturar a teologia da libertação como um bloco uniforme de erros ou heresias, assim como para quem repudia, por reação, todos seus pressupostos. A proposta é equilibrada: valorizar seu acerto — especialmente sua atenção aos pobres, à justiça social e à libertação — enquanto se apontam com clareza os desvios a evitar, como a redução da salvação à esfera política ou a dependência acrítica de ideologias externas ao Evangelho.
Em última instância, o artigo convida os leitores da fé a reencontrar uma teologia comprometida com os pobres e com a justiça, mas enraizada na caridade evangélica e em uma leitura crítica que respeite os critérios doutrinais da Igreja. Afinal, para João Paulo II, a teologia da libertação não era um perigo automático, mas uma ferramenta que, bem feita, é “oportuna, útil e necessária” ao anúncio do Reino de Deus.
Leia o texto completo no link: Acreditamos no Amor
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