Por Por Luis Miguel Modino
A Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, que iniciou sua Segunda Sessão em 2 de outubro, entra em seu momento final neste sábado, com a leitura e aprovação do Documento Final e a Missa de encerramento, que será celebrada no domingo, 27 de outubro, na Basílica de São Pedro, onde será inaugurada a restauração do Baldaquino de Bernini.
O que está escrito está escrito
Um documento diante do qual, neste momento, só se pode dizer: “alea jacta est” (a sorte está lançada), ou também “o que está escrito está escrito”, já que não há espaço para correções, apenas leitura no sábado de manhã e votação parágrafo por parágrafo no sábado à tarde. Um texto que é fruto de um trabalho coletivo, do “mês sinodal de caminhar juntos ouvindo o seu Espírito”, como rezaram na oração com que iniciaram o dia.
Um momento em que sentiram a presença de Deus no meio da Assembleia e foram “transformados por esse processo”, sendo uma profunda “experiência espiritual e eclesial de escuta, diálogo e discernimento em comum”, onde experimentaram a fraternidade do encontro além das diferenças. Uma assembleia na qual foram chamados “a tecer a comunhão a serviço da missão, fortalecendo a participação de todos”.
Missionários da sinodalidade
Seguindo o pedido de “ser missionários da sinodalidade, levando ao mundo uma mensagem de paz, reconciliação e esperança”, a partir do momento em que o Documento Final é aprovado, independentemente das palavras concretas nele contidas, é hora de tomar medidas para ajudar em sua recepção, disseminação, interpretação, formação, reflexão, implementação e vinculação.
Encontrar mecanismos para que todos os batizados possam aceitar o documento como seu, como um instrumento para ajudar no trabalho de evangelização, com uma linguagem que possa ser compreendida, destacando os bons elementos que ele contém, que ajudarão a aprofundar a mensagem do Concílio Vaticano II e o significado de uma Igreja sinodal.
Implementar em todos os níveis da Igreja
Um Documento que deve ser um veículo de formação para todo o Povo de Deus, desde os bispos até os leigos, com cursos, conferências, vídeos, postagens nas redes sociais, por todos os meios possíveis. Um texto que leve à reflexão teológica, expressa em artigos científicos, congressos, livros coletivos... Mas, sobretudo, um texto que seja implementado em todos os níveis da Igreja, nas comunidades, paróquias, dioceses, pastorais, organismos, seminários, visando a uma mudança de estruturas eclesiais, de novos planos pastorais, de métodos sinodais de discernimento, de uma ministerialidade mais explícita para todos, de uma Igreja ad extra. E todos nós juntos, ou pelo menos ligados àqueles que querem continuar remando, com mais ou menos força, com mais ou menos vontade, mas sempre em frente.
Não nos esqueçamos de que o Sínodo é um ponto de partida e não um ponto de chegada, que mais do que o evento sinodal, temos que considerar o processo sinodal. Há muitas portas abertas pelas quais não podemos deixar de passar, seguindo o exemplo de um Papa a quem não falta coragem para continuar caminhando, mesmo que às vezes tenha de usar uma bengala e outras vezes seja empurrado em uma cadeira de rodas. Nada nos impede de continuar, e continuaremos a nos esforçar, cada um a seu modo, para tornar a Igreja mais sinodal, independentemente do que esteja escrito em um texto que devemos transformar em um texto vivo que encha todos de Vida.
O trabalhador já não se percebe como sujeito coletivo. A experiência comum de luta foi substituída por trajetórias individualizadas, marcadas pela lógica do desempenho. A precarização deixou de ser entendida como injustiça estrutural e passou a ser interpretada como fracasso pessoal...
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