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SÍMBOLOS DA BÍBLIA 35. ARCA

Por Antônio Carlos Santini

SÍMBOLOS DA BÍBLIA

Antônio Carlos Santini

 35. ARCA

A palavra “arca” significa, a rigor, uma espécie de caixa ou cofre, que sugere a ideia de proteção, resguardo, acolhida. A Sagrada Escritura fala de duas diferentes arcas: a arca de Noé e a arca da aliança.

Quando Deus decide salvar uma semente da humanidade do grande dilúvio, ordena a Noé que construa uma arca: “Faze uma arca de madeira resinosa... Entra na arca tu e toda a tua família, porque és o único justo que vejo diante de mim no meio de tua geração”. (Gn 6,14; 7,1)

Em geral, o leitor se fixa na destruição do dilúvio, mas deixa no esquecimento o gesto de cuidado e proteção significado pela arca. No Evangelho, Jesus se refere a esta arca, acentuando o descuido diante da catástrofe e a indiferença dos que viviam sua vida “normal” (cf. Mt 17,26-27)

A segunda arca é o relicário de madeira nobre (cf. Ex 25,10ss), construído por Moisés segundo o modelo que Yahweh lhe mostrou (cf, Ex 25,40). A Carta aos Hebreus nos revela o seu conteúdo: “... a arca da aliança toda recoberta de ouro, com o maná, o bastão de Aarão que florescera e as tábuas da aliança”. ((Hb 9,4)

No Êxodo, Yahweh interveio diretamente na vida do povo escolhido, dando-lhe a Lei (as duas tábuas do decálogo), o maná (alimento caído do céu, símbolo de vida e sobrevivência) e reservado uma tribo sacerdotal para celebrar o culto divino (a vara de Aarão, a única que rebrotou – cf. Nm 17,20-24).

Guardados na arca, os três sinais davam testemunho de que Deus estava em aliança com o povo. A arca da aliança representava a presença do Senhor no seu meio. O cúmulo do abandono experimentado por Israel, em tempos de infidelidade, ocorre quando a arca é perdida no meio de uma batalha (cf. 1Sm 4,10-11).

No Apocalipse, reaparece a arca como imagem da consumação dos mistérios da salvação que Deus tem para seus eleitos. O Templo do céu substitui os templos terrestres. Em sua aliança, o Senhor foi fiel até o fim.

Alguns textos bíblicos: Gn 7,16; 1Sm 3,3; Sl 132,8; Jr 3,16; 2Mac 2,4; Mt 24,37-38.

 (Do livro “Uma voz na nuvem”, Ed. Cultor de Livros, 2021)

 

 

 

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