Por a redação
Pesquisa Ipsos-Ipec revela que Congresso e partidos políticos são os menos confiáveis, enquanto escolas públicas, igrejas e bombeiros seguem entre os mais respeitados
A mais recente pesquisa do Índice de Confiança Social (ICS), realizada pela Ipsos-Ipec em julho de 2025, escancarou uma ferida profunda da vida pública brasileira: a crise de confiança nas instituições. O levantamento, feito com 2.000 pessoas em 131 municípios, revela um cenário alarmante, no qual os brasileiros demonstram níveis historicamente baixos de confiança em partidos políticos e no Congresso Nacional. Os dados indicam que apenas 32 pontos (numa escala de 0 a 100) foram atribuídos aos partidos e 37 ao Congresso, os piores índices entre todas as instituições avaliadas.
Essa desconfiança generalizada impacta diretamente a governabilidade, a participação política e a vitalidade da democracia. A diretora do Ipec, Márcia Cavallari, alerta: “É urgente reconstruir a confiança social. Sem isso, as instituições perdem sua capacidade de representar e servir o povo”.
Apesar do clima de descrédito generalizado, algumas instituições conseguiram manter altos índices de confiança — todas elas marcadas por uma atuação direta, comunitária e social. O Corpo de Bombeiros segue liderando o ranking com impressionantes 85 pontos, seguido por igrejas (67 pontos) e escolas públicas (66 pontos). Essa confiança não é gratuita: são instituições que atuam nos territórios, lidam com problemas concretos e representam presença do Estado onde ele costuma faltar.
Esses dados dialogam com a experiência das comunidades e movimentos sociais que atuam nas periferias urbanas e rurais: onde o Estado chega com serviço, cuidado e presença solidária, a confiança cresce.
Entre as instituições tradicionalmente vistas como pilares da ordem, houve queda significativa na confiança da população. A Polícia Federal, por exemplo, perdeu 5 pontos em relação ao ano passado, caindo para 66 pontos. A Polícia Civil foi de 65 para 59, enquanto as Forças Armadas recuaram de 68 para 64 pontos. A confiança no Poder Judiciário também caiu, ficando em 49 pontos, abaixo da linha de aprovação majoritária.
Essas quedas indicam um esgotamento da credibilidade também nos chamados "órgãos de controle", frequentemente associados à seletividade da justiça e à lentidão na resposta às demandas populares.
O epicentro da desconfiança, no entanto, está no núcleo da política representativa. A pesquisa mostra que o Governo Federal obteve apenas 46 pontos, e a Presidência da República, 41. Sindicatos e sistema eleitoral aparecem com 41 e 50 pontos, respectivamente. O que se vê é um distanciamento entre a população e as instâncias formais da democracia — uma desilusão com os mecanismos de representação.
Essa desconfiança pode ser explicada não apenas por escândalos de corrupção e má gestão, mas por uma percepção de que essas instituições governam longe da realidade do povo. A atuação dos partidos, marcada por alianças oportunistas, disputas internas e pouca renovação, contribui para o descrédito. O Congresso, muitas vezes associado a privilégios e insensibilidade social, também sofre os efeitos dessa percepção negativa.
Abaixo, um resumo do índice de confiança em algumas das principais instituições:
| Instituição | Índice (0–100) |
|---|---|
| Corpo de Bombeiros | 85 |
| Igrejas | 67 |
| Escolas públicas | 66 |
| Polícia Federal | 66 |
| Forças Armadas | 64 |
| Polícia Civil | 59 |
| Ministério Público | 56 |
| Sistema Eleitoral | 50 |
| Poder Judiciário | 49 |
| Governo Federal | 46 |
| Presidente da República | 41 |
| Sindicatos | 41 |
| Congresso Nacional | 37 |
| Partidos Políticos | 32 |
Os dados apontam para um esgotamento do modelo político-institucional tradicional. Mais do que uma crítica vazia, a desconfiança popular é um sintoma de frustração acumulada diante da desigualdade, da ineficiência e da distância entre representantes e representados. Mas também revela caminhos: quando as instituições se mantêm enraizadas no cotidiano das pessoas, como escolas, igrejas e serviços de emergência, conseguem preservar sua credibilidade.
Essa constatação é especialmente relevante para movimentos populares, comunidades eclesiais de base, sindicatos e pastorais sociais. O momento exige recuperar a política como prática do bem comum, com processos participativos, transparência e protagonismo das periferias urbanas e rurais.
A crise de confiança não precisa significar paralisia. Pelo contrário: pode ser um chamado à ação. Para O Lutador, os dados da pesquisa Ipsos-Ipec reforçam a necessidade de reconstruir a democracia desde suas bases, com organizações populares, mediação comunitária, e novas formas de escuta e participação. A confiança se cultiva com presença, coerência e compromisso com os pobres — não com discursos vazios ou alianças de conveniência.
Se as instituições querem reconquistar o povo, devem reaprender a servir — e não apenas a governar.
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